CANTO DO URUTAU – A LENDA DO MÃE DA LUA

O canto do urutau – a lenda do mãe-da-lua representa a negligência multissetorial das entidades governamentais e não governamentais perante problemas sociais que persistem ainda no século XXI. Uma comparação modesta e singela à grande obra de João Cabral de Melo Neto Morte e Vida Severina pode ser repassada aos moldes contemporâneos deste novo século, em tempos e espaços diferentes, onde muito se fala em questões ambientais e direitos humanos. No lixão, embora banido legalmente, muitos veem sua vida transcorrer em busca da sobrevivência e sem qualquer perspectiva de futuro, crianças invisíveis passam despercebidas por nossos olhos e se tornam adultos lânguidos e sem vida. Mesclado com as diversas lendas que giram em torno dessa mística ave, este poema dramático é uma alusão ao sofrimento enfrentado pelo personagem.
ASTÚNCIO, O ESTÚPIDO ESCLARECIDO

Vencedor do Prêmio Uirapuru 2019. Astúncio, professor e geógrafo, esclarecido pelos livros e pela paixão pela ciência, vive uma crise de existência, contudo, suas reflexões tomam grandes dimensões, quando, desolado deste insólito mundo e isolado pela estupidez humana, e após várias tentativas de adaptar-se, resolve atear fogo em sua vasta biblioteca, iniciando um trabalho de desaprendizado e retrocesso intelectual para tornar-se um completo e verdadeiro estúpido. Mas o processo não será tão simples assim!
ARTURO, O CARA QUE DESISTIU DO FUTURO

Após a grande pandemia e a última grande guerra, o mundo encontrava-se tóxico, e a população mundial se reduzira a um bilhão de habitantes, depois de uma grande evasão dos mais abastados para o planeta Astaurius, assim como para outros astros já habitados pelo homem. Arturo, juntamente com seu melhor amigo, Teneco, é instalador de sistemas de proteção cibernético residencial e empresarial, mas sua vida muda quando, por uma falha de frequência e sincronização, começa a receber informações da empresa Gene junto ao seu headmobile, mostrando que o mundo não se comportava como imaginava. Descobre experiências comprometedoras, virando procurado do Estado após enviar um dossiê para órgãos oficiais do governo. Não imaginava que este relatório surtisse um efeito antagônico, e agora era dado como terrorista, tendo que fugir apressadamente para uma aldeia esquecida pela humanidade, onde para chegar até lá, precisaria atravessar um ambiente contaminado pela radiação remanescente da grande guerra. Paralelamente, estourava a revolução na cidade, e Arturo, agora mártir, era dado como morto. Mas a calma vida no pequeno vilarejo não impede que ele volte para salvar seu amigo Teneco.
INFECUNDO SOLO

Romance trágico e realista, vencedor do 2º lugar no Prêmio José de Alencar (UBE-RJ 2017). Quanto custa a integridade de um homem? Num mundo onde a miséria é invisível aos olhos do poder, Cóti, um menino do morro, órfão de mãe e filho de um operário da velha fábrica de botões – sustento precário de uma cidade esquecida entre becos, igrejas e desilusões -, ao lado de Temêncio, seu fiel companheiro, enfrentam juntos o asfalto em busca de alguns trocados e um pouco de dignidade. Narrado com crueza poética, este romance trágico revela um retrato contundente da negligência multissetorial, entre igrejas coniventes, instituições corrompidas, desigualdades gritantes e infâncias roubadas. Quando, em um momento de desespero físico e simbólico, Cóti encontra uma sacola recheada de dinheiro atrás da igreja, uma reviravolta se anuncia: será a salvação ou o prenúncio de um destino ainda mais cruel?
BO’REAKÃ

Em um romance cativante que mescla realidade e ficção, este livro conduz o leitor por uma jornada histórica e emocional que atravessa quatro gerações de uma mesma família brasileira. Com linguagem acessível, mas repleta de densidade cultural e crítica social, a narrativa se inicia na colonização do Estado do Mato Grosso, avança pelas sombras da ditadura militar em São Paulo e desvela os complexos embates por terras indígenas e quilombolas. Entre o grito sufocado dos povos originários e a ambição desenfreada do progresso, ergue-se o testemunho de quem viveu – e sobreviveu – às contradições que moldaram o Brasil moderno. Um mergulho sensível nas raízes latino-americanas, onde a miscigenação não apenas funde culturas, mas revela a profunda luta por justiça, memória e futuro.
